Autor: Ana Lúcia Goulart de Faria
Obra: texto argumentativo
Local: Campinas Ano: 2005
O texto na qual estou a destacar, aborda uma construção de uma pedagogia da educação pré-escolar fundamentalmente não-escolarizante, que incorpora as pesquisas de várias áreas do conhecimento e busca conhecer a criança em um ambiente coletivo, na produção das culturas infantis.
Foi necessário inúmeras pesquisas, até que pudesse ser falado em uma "pedagogia da infância". Desde os anos de 1970, na França e na Itália, têm sido feitas investigações em que, olhando, observando, dando voz e ouvidos à criança (mesmo quando ela ainda não fala, anda ou escreve), torna-se possível reconhecê-la como capaz de estabelecer múltiplas relações, com um alto e sofisticado grau de comunicação com crianças de mesma ou de idade diferente e com adultos. No Brasil, esse tipo de pesquisa não começaria muito depois: a professora Clotilde Rosseti-Ferreira, no final da década de 1970 e início dos anos de 1980, estava atenta às pioneiras pesquisas francesas e italianas, que investigavam as crianças em creches. Tendo como referência Camaione, a produção das culturas infantis no Brasil é investigada pela psicologia como o "ressurgimento" de uma área de pesquisa que enfoca a interação criança-criança.
Já em 1976, falando do adultocentrismo no simpósio "Educação como forma de colonialismo", realizado na 28ª reunião da SBPC, Fulvia Rosemberg questionou se "a psicologia estaria apta a fornecer alternativas, pelo menos ao nível do conhecimento, a estes impasses da educação de crianças?" (p. 1.468).A partir deste questionamento, a Fundação Carlos Chagas (FCC) inovaria nas pesquisas educacionais, investigando a mulher e o feminismo e, em seguida, iniciando a pesquisa sobre as crianças de 0 a 6 anos, principalmente referidas nas políticas públicas.
Pode-se notar neste movimento uma crescente articulação entre pesquisa, política e pedagogia na educação infantil, tanto oscilando a ênfase entre a atenção e o controle como na concomitância e contradição do binômio. Mesmo sem uma amplitude nacional, cada iniciativa, ainda que isolada, na política, na pedagogia ou na pesquisa, tem quase sempre pretendido relacionar esses três segmentos.
Também preocupa-se as especificidades de cada momento da vida das crianças de 0 a 6 anos, e o lócus de sua educação coletiva: os móveis, brinquedos, objetos próprios para quem ainda não anda, por exemplo, literatura infantil sem letras, música, teatro, dança, performance, instalações etc. Neste sentido, as principais referências são as pesquisas recentes que estão trazendo o repertório da arte como manifestação cultural humana. Se o lugar de criança na sociedade do trabalho é na creche, na pré-escola e na escola, então as referências históricas para uma "pedagogia da infância" são os antigos pensadores que, mesmo sem falar em idade, falavam da educação das crianças na esfera pública. Muitos deles tratavam em seus estudos das crianças em idade pré-escolar, como: Pestalozzi, Froebel, Dewey, Montessori, Bruner, as irmãs Agazzi. O próprio Piaget, segundo o saudoso Malaguzzi da Reggio Emilia (1999), não teria construído o conceito de "egocentrismo" se tivesse vivido um pouco mais e visto as crianças convivendo nas creches. A construção do sentido de pertencimento, a gestão da ambivalência na infância (Ugazio, 1990), por exemplo, são categorias de análise que se impõem hoje e que não eram conhecidas anteriormente. Pesquisa e universidade indissociáveis são a base de toda essa transformação nos conceitos de infância e criança.
Obra: texto argumentativo
Local: Campinas Ano: 2005
O texto na qual estou a destacar, aborda uma construção de uma pedagogia da educação pré-escolar fundamentalmente não-escolarizante, que incorpora as pesquisas de várias áreas do conhecimento e busca conhecer a criança em um ambiente coletivo, na produção das culturas infantis.
Foi necessário inúmeras pesquisas, até que pudesse ser falado em uma "pedagogia da infância". Desde os anos de 1970, na França e na Itália, têm sido feitas investigações em que, olhando, observando, dando voz e ouvidos à criança (mesmo quando ela ainda não fala, anda ou escreve), torna-se possível reconhecê-la como capaz de estabelecer múltiplas relações, com um alto e sofisticado grau de comunicação com crianças de mesma ou de idade diferente e com adultos. No Brasil, esse tipo de pesquisa não começaria muito depois: a professora Clotilde Rosseti-Ferreira, no final da década de 1970 e início dos anos de 1980, estava atenta às pioneiras pesquisas francesas e italianas, que investigavam as crianças em creches. Tendo como referência Camaione, a produção das culturas infantis no Brasil é investigada pela psicologia como o "ressurgimento" de uma área de pesquisa que enfoca a interação criança-criança.
Já em 1976, falando do adultocentrismo no simpósio "Educação como forma de colonialismo", realizado na 28ª reunião da SBPC, Fulvia Rosemberg questionou se "a psicologia estaria apta a fornecer alternativas, pelo menos ao nível do conhecimento, a estes impasses da educação de crianças?" (p. 1.468).A partir deste questionamento, a Fundação Carlos Chagas (FCC) inovaria nas pesquisas educacionais, investigando a mulher e o feminismo e, em seguida, iniciando a pesquisa sobre as crianças de 0 a 6 anos, principalmente referidas nas políticas públicas.
Pode-se notar neste movimento uma crescente articulação entre pesquisa, política e pedagogia na educação infantil, tanto oscilando a ênfase entre a atenção e o controle como na concomitância e contradição do binômio. Mesmo sem uma amplitude nacional, cada iniciativa, ainda que isolada, na política, na pedagogia ou na pesquisa, tem quase sempre pretendido relacionar esses três segmentos.
Também preocupa-se as especificidades de cada momento da vida das crianças de 0 a 6 anos, e o lócus de sua educação coletiva: os móveis, brinquedos, objetos próprios para quem ainda não anda, por exemplo, literatura infantil sem letras, música, teatro, dança, performance, instalações etc. Neste sentido, as principais referências são as pesquisas recentes que estão trazendo o repertório da arte como manifestação cultural humana. Se o lugar de criança na sociedade do trabalho é na creche, na pré-escola e na escola, então as referências históricas para uma "pedagogia da infância" são os antigos pensadores que, mesmo sem falar em idade, falavam da educação das crianças na esfera pública. Muitos deles tratavam em seus estudos das crianças em idade pré-escolar, como: Pestalozzi, Froebel, Dewey, Montessori, Bruner, as irmãs Agazzi. O próprio Piaget, segundo o saudoso Malaguzzi da Reggio Emilia (1999), não teria construído o conceito de "egocentrismo" se tivesse vivido um pouco mais e visto as crianças convivendo nas creches. A construção do sentido de pertencimento, a gestão da ambivalência na infância (Ugazio, 1990), por exemplo, são categorias de análise que se impõem hoje e que não eram conhecidas anteriormente. Pesquisa e universidade indissociáveis são a base de toda essa transformação nos conceitos de infância e criança.
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