
| Diversidade e exclusão na escola A escola vive hoje dilemas que fazem parte do debate macro que a sociedade globalizada moderna deste início de século enfrenta em todas as suas esferas. Isso parece mera conclusão do óbvio, porém quando se observa a fundo questões como igualdade étnica, de gênero, inclusão de pessoas com deficiência, respeito às diferenças e minorias, a prática escolar continua, salvo algumas exceções, reproduzindo práticas excludentes, não querendo ver que valorizar as diferenças, por exemplo, é valorizar cada ser humano, já que todos são diferentes em vários aspectos que transcendem os fatores biológicos. Assim, este estudo tem como objetivo tecer algumas considerações importantes para a revisão e o repensar das práticas referendadas no cotidiano escolar que tem como perspectiva igualar, normatizar, cristalizar tanto as práticas quanto os resultados das práticas sobre as pessoas, no caso os alunos. Tal discussão se dá, principalmente pelo fato de vermos na realidade educacional uma discrepância muito grande entre o que se prega e o que realmente tem acontecido em várias escolas de ensino fundamental e de educação infantil quando se fala em diversidade, práticas educacionais inclusivas, valorização da diversidade como mola propulsora da aprendizagem, dentre outros aspectos. Primeiro, de acordo com Souza; Gallo (2002, p. 56) "mais do que igualar, todo sistema normativo multiplica as desigualdades por meio de medidas sem sujeito: a norma reenvia cada um a ser um dado [...]". Nesse sentido, percebe-se que a escola, ao impor uma única norma para todos os alunos, esquece-se que ela própria é formada por uma representação fidedigna da sociedade, ou seja, assim como a sociedade, a escola é composta pela diversidade de vidas que compõem a sociedade em si, diversidade esta que, antes de tudo, é benéfica pelo fato de proporcionar a diferenciação de ações, a multiplicidade de características e a possibilidade de apropriarmo-nos de outras características próprias dos seres humanos, para assim, construirmos nossa identidade, nossa subjetividade. Além disso, de acordo com Sacristán (2002, p. 23), "em educação, a diversidade pode estimular-nos à busca de um pluralismo universalista que contemple as variações da cultura, o que requer mudanças importantes de mentalidade e de fortalecimento de atitudes, de respeito entre todos e com todos". Ou seja, a prática pedagógica, ao reconhecer e se apropriar da diversidade, tem a chance de enriquecer seu leque de experiências que possibilitam o aprimoramento da práxis educativa através da pesquisa daquilo que está em seu âmago, ou de modo positivo ou negativo, mas que possibilite o crescimento que a modernidade exige das ações escolares. Segundo, se atentarmos também para o fato de que, conforme Sacristán (p. 23), "a diversidade significa ruptura ou abrandamento da homogeneização que uma forma monolítica de entender o universalismo cultural trouxe consigo", questionamos: o que a escola e seu corpo docente têm entendido como diversidade? Como a escola e seu corpo docente percebem a sala de aula? Homogênea ou heterogênea? E ainda, existiria homogeneidade na atual conjuntura sócio-políticacultural-econômica-educacional? E a própria homogeneidade, é possível acontecer quando temos bilhões de pessoas com suas identidades únicas? Essas, e tantas outras questões, nos levam a crer que, apesar da escola muitas vezes debatê-las, ainda têm permanecido um ranço muito grande em seus entendimentos acerca da diversidade, na relação conflituosa entre homogeneidade (de ações, regras, ensinamentos) e heterogeneidade (de vidas, sonhos, desejos, subjetividades), e nas discussões atuais que envolvem a inclusão (não só da pessoa com deficiência, mas de todos aqueles que têm seu direito à cidadania negado). Terceiro, se observarmos atentamente o movimento mundial da educação para todos, referendado com mais ênfase no cenário internacional pela Declaração de Salamanca (1994) e pela Declaração de Jomtien (1990), veremos que a idéia de inclusão é muito mais ampla do que simplesmente trazer o indivíduo para a escola comum, implica, sim, dar uma outra lógica à escola, de forma que não seja possível pensar na possibilidade de educando algum estar fora dela ou dela ser alijado. Além disso, Mantoan (2002) nos diz que "a inclusão é um conceito que emerge da complexidade, dado que a interação entre as diferenças humanas, o contato e o compartilhamento dessas singularidades compõe a sua idéia motriz" (p. 86). Vemos, então, novamente a complexidade, a diversidade como foco central da mudança, isto é, é essa diversidade que tem feito a escola rever o modo como vê e percebe o ser humano para além de meras características físicas, mentais e/ou intelectuais. Após a observância desses três fatores destacados até agora, cabe ressaltar que a atitude de algumas escolas, e isso através dos relatos registrados sobre o processo educacional, ao invés de conduzir o aluno para ser parte da diversidade da escola de forma positiva, ou seja, canalizando aqueles pontos positivos que o aluno possui para, a partir daí, superar os pontos negativos apresentados e, assim, incluí-lo, opta, muitas vezes, por negar-lhe o direito de ser diferente, de ser a própria essência da sociedade: heterogêneo. Desse modo, tendo reforçada sua não adequação às normas supostamente homogêneas, o melhor caminho tem sido excluí-lo, aliás, esse tem sido o caminho seguido por grande parte das escolas: excluir tudo aquilo que não se enquadra nos conceitos (se é que existem) de normalidade. Nesse sentido, pode-se salientar que o aluno, independente de classe social, etnia, preferência sexual, religião, capacidade intelectual, família, necessita ter a possibilidade de se ver como parte da escola, como um dos sujeitos do processo educacional; e à escola (no papel de seus profissionais), por sua vez, que reveja sua postura, seus entendimentos acerca de mundo, de escola, de aluno, de sociedade, de ser humano, de diversidade, de inclusão (e tantos, tantos outros termos) para assim, entender que o elemento estranho é algo próprio da sociedade e que excluir só reforça a idéia de que não se tem competência para superar fatos. Afinal, quantos Josés, Marias, Marcos, Anas, Joanas, existem por aí em nossas escolas? E se todos forem excluídos, onde estudariam? Em suma, se atentarmos para o fato de que cada ser humano é diferente, todos seriam anormais e todos seriam excluídos. O que cabe à escola é entender que "um elemento estranho deveria, pois, pertencer ao conjunto, ser parte dele, ser um elemento logicamente necessário ao todo" (SOUZA; GALLO, 2002, p. 42). Neste contexto, temos percebido que medidas simples poderiam ser tomadas para que realmente o processo educacional cumpra aquilo a que se propõe e que muitas vezes parece mais um velho bordão: formar alunos críticos, cidadãos e conscientes. Ora, só se forma um aluno crítico, cidadão e consciente se ele perceber-se como parte da criticidade, da cidadania e da consciência do grupo do qual faz parte, ou seja, incluído, respeitado em sua individualidade. No percurso como docentes, pesquisadores e assessores, temos percebido que atitudes como acompanhamento personalizado/planejado ao aluno durante o ano letivo; organização de atividades curriculares e extracurriculares com foco na heterogeneidade; organização de grupos de estudo (formação continuada) com professores e, por que não, com os alunos para debater questões (im)pertinentes do cotidiano; trabalhar com objetivos claros tanto referentes ao aluno quanto a toda a comunidade escolar; correlação de forças entre todos os envolvidos no processo educativo para a superação da dificuldades encontradas cotidianamente; perceber que possui – ao mesmo tempo em que é parte – uma identidade; dentre outras ações, podem representar o início de um trabalho que tenha a diversidade como foco e não como mero discurso. http://www.facevv.edu.br/Revista/01/DIVERSIDADE%20E%20EXCLUS%C3%83O%20NA%20ESCOLA%20EM%20BUSCA%20DA%20INCLUS%C3%83O.pdf Site das outras duas pesquisas: http://www.univen.edu.br/revista/n005/O%20DESAFIO%20DE%20TRABALHAR%20A%20DIVERSIDADE%20CULTURAL%20NA%20ESCOLA.pdf http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/diversidade-caminho-paratrasformacao-fazer-pedagogico.htm |
| Jéssica Mrus Lusa - Email: jessicalusa@hotmail.com |
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