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Juliana Thaís Toqueto - Pedagogia Passo Fundo

PARA REFLETIR!!!

Uma professora de primeira série solicita a minha presença em sua sala de aula para observar Fátima, aluna de 8 anos que "não aprendia nada". Nesse dia a professora tinha colado no quadro uma seqüência de 3 figuras: na primeira o desenho de um menino pensando em um passarinho, na segunda o menino armando uma arapuca e na terceira figura aparece o menino com o passarinho na gaiola. A solicitação da professora é que fosse construída uma história coletiva. Todos estavam interessados na proposta, sugeriam idéias: "Era uma vez um guri que queria muito muito um passarinho, mas não tinha ninguém para dar um passarinho para ele. Um dia ele pensou: "- Vou fazer uma armadilha…" Até então, como sempre, Fátima estava em silêncio, mas, o que a professora não percebia, é que ela estava visivelmente atenta e em um determinado momento levanta a mão fazendo o clássico sinal que expressa o desejo de falar. Faço sinal para a professora, já que esta não toma conhecimento da solicitação de Fátima.
Fátima, a menina franzina, negra, sujinha, com o nariz escorrendo uma coisa esverdeada, tinha uma idéia para continuar o texto. Muito a contragosto, a professora autoriza a falar (os outros não precisavam autorização). Fátima, em tom de voz muito baixo, diz:"- Daí o passarinho morreu…" Todos fazem silêncio. O constrangimento da professora é visível. Mostra-se surpresa, inquieta e não encontra palavras em seu repertório pedagógico. Quer dizer algo, mas gagueja como que tomada pela angústia, pelo conteúdo que se torna visível com a contribuição de Fátima. Todas aquelas pequenas crianças de 7 anos acolheriam a idéia de Fátima, porque sabem que falar sobre a morte não é a mesma coisa que matar ou morrer. Elas falam sobre a morte, sobre a vida, sobre liberdade, sobre tudo o que perdemos quando ficamos presos. Mas, a professora não podia, e pergunta a todos: "- Vocês estão vendo o passarinho morto?" Claro que não. Todo o mundo que via o passarinho morto por estar preso, mas que aparentemente estava vivo – assim como a Fátima, que não podia aprender – passou a não ver mais a não ser o que a professora queria que vissem. Fátima mostrou o caminho que precisava percorrer, mas quem estava interessado?
"- Por que a escola insiste em me fazer crer que sou um pedaço de coisa lógica e um pedaço de coisa que sente dor, tristeza, alegria, abandono, mas que este pedaço de coisa, além de vergonhoso e assustador devo deixar em casa?" (Fátima)
Juliana Thaís Toqueto  -  Email: 128173@upf.br

 

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