
| A criança e os espaços de interação social O maior responsável pelo processo de socialização da criança deficiente é a família, através dessa primeira instituição ela aprende e adquire hábitos de viver em grupo e é através das primeiras vivências que encontrará no próximo o seu próprio espelho. A estimulação é um fator primordial e decisivo nos primeiros anos de vida, conhecidos como período da infância, por isso, a escola deve proporcionar as crianças, em especial às com deficiência, condições adequadas para que possam se desenvolver e se tornarem autônomas. Para tanto, faz-se necessário a prática da liberdade, oferecendo abertura à experiência, sem cobrar o erro ou o acerto, pois são nas eventualidades que poderão se autofirmar para adaptar-se ao meio em que vive. Segundo Glat, A família, portanto, realiza a chamada socialização primária que consiste na aprendizagem dos papéis sociais; ou dito de outra forma, no processo de formação de identidade social e pessoal do indivíduo, na imagem que a pessoa tem de si mesma. Mais tarde, ao entrar em contato com o grupo social mais amplo, geralmente na fase escolar – socialização secundária – a criança terá novos ajustes a fazer para se adaptar (IBIDEM, 1955, p. 22). A pessoa com deficiência vai formando seu conhecimento, dispondo de diversas formas de expressar suas experiências, suas experimentações de vida como também aquelas que poderão vir a surgir no seu convívio social. Através da linguagem terá condição de expressar sua aprendizagem, ela surge como instrumento de representação e não pode deixar de ser considerada no contexto geral. O educador deve criar condições favoráveis à estimulação da criança, ou seja, deve satisfazer suas curiosidades e aguçar sua reflexão, favorecendo, assim o conhecimento, não deixando de lado a realidade que a criança traz consigo. O lúdico, por meio das brincadeiras é um meio muito eficiente para conseguirmos ótimos resultados com as crianças, pois neste momento há muita espontaneidade, elas ficam mais abertas às informações e às novas aprendizagens porque sentem prazer em brincar. As crianças não têm preconceitos, elas respeitam os limites dos colegas e os ajudam, por isso, é importante o processo interativo na infância.O processo ensino-aprendizagem da pessoa com deficiência exige respeito às diferenças, necessidades e limitações, criando situações de vida idênticas as proporcionadas às pessoas consideradas normais, participando ativamente da vida familiar, escolar, social e ao lazer. A escola por sua vez deve assegurar aos seus educandos o direito a dignidade, ao respeito e a justiça, porém, para isso ser cumprido é necessário à aceitação da família. Embora alguns membros da família, por desconhecimento ou ignorância acreditem que a pessoa com deficiência não tem condições de aprender, ou seja, agem contra a própria pessoa humana na intenção de superprotegê-la. A criança precisa é de incentivo na educação especial, ser valorizada e ser acolhida, o que ajuda no seu desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo. Desse modo, evitando que a deficiência cause reações ambíguas de medo e ansiedade, diante de uma situação desagradável ou rejeição, consequentemente, colocando-as à parte da vida social. A criança com necessidades especiais precisa ser compreendida em suas diversidades, ter sua auto-imagem valorizada porque isso irá contribuir ao sucesso da sua aprendizagem e da vida em sociedade. Os educadores tem o papel de encorajar o deficiente à prática de vida diária, pois isso o torna livre e capaz de desenvolver as atividades que lhe são propostas no espaço escolar, mesmo com a ajuda dos coleguinhas, do professor ou de um familiar. O brincar ajuda a estabelecer trocas de experiências com outras crianças através de jogos, brincadeiras, rodas, músicas, as quais são muito importantes por proporcionar momentos de prazer e de aprendizagem. A socialização da pessoa deficiente é fragmentada, pois não abrange sua totalidade em espaços diferentes, acontecendo, na maioria das vezes, apenas na família, sem sua inserção à escola ou aos locais de lazer, dessa forma, os locais mais frequentados dizem respeito somente àqueles ligados à assistência à deficiência, como hospitais e clínicas de reabilitação. Muitos são os suportes necessários à Educação Especial, desde a sala de recursos e o ensino itinerante (para o aluno com necessidades educacionais especiais incluídos em turma regular) ou escola especial (para aqueles que necessitam de um atendimento educacional mais individualizado). Algumas escolas demandam maior planejamento a médio e longo prazo. Não há modelos prontos, nem receitas em manuais. A sociedade brasileira ainda precisa tornar sua prática consistente com seu discurso legal. Há que buscar soluções para a convivência na diversidade que a caracteriza, enriquece, dá sentido e significado. Conforme as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial: A educação especial é um processo educacional escolar definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica (BRASIL, 2001, p. 69). Há que efetivamente favorecer a convivência e a familiaridade com as pessoas com deficiência, derrubando as barreiras físicas, sociais, psicológicas e instrumentais que as impedem de circular no espaço comum. Dessa maneira, a garantia de uma sociedade inclusiva e a manutenção dos direitos conquistados pelas pessoas com deficiência são responsabilidades de todos nós - governo e sociedade civil. Nesse sentido, cabe a reflexão sobre os caminhos que ainda temos a percorrer rumo à plena cidadania e inclusão social da pessoa com deficiência. Ainda há muito por fazer. Enfrentar discriminações e eliminar desigualdades enraizadas no cotidiano são desafios complexos que exigem repensar experiências, questionar práticas na política, na gestão pública e na vida social. A mobilização das pessoas com deficiência é essencial para despertar a sociedade para a necessidade de mudanças. No entanto, é inegável a responsabilidade do poder público em propor e implementar políticas que superem a fragmentação da cidadania. A família é o primeiro espaço para que a pessoa com deficiência seja inclusa na sociedade, porém, por isso, é preciso que se posicione a favor da pessoa com deficiência aceitando e respeitando suas limitações, pois há contra valores na sociedade que caminham para exclusão. O segundo espaço é a escola que deve abrir as suas portas oferecendo-lhes oportunidades e estímulos para que se desenvolva em sua totalidade, visto que nós seres humanos não somos seres fragmentados. Portanto, concluímos que, a socialização da pessoa com deficiência é responsabilidade de todos, por isso, a educação especial deve atuar em parceria com os familiares de pessoas com alguma deficiência, para garantir à formação, modificar conceitos, criar meios de aceitação das diferenças e fomentar uma sociedade mais humana e inclusiva, reconhecendo que a escola, a família e as crianças estão interligadas no processo educativo. FONTE; |
| Angélica Paula Schneider - Email: 128149@upf.br |
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