
| POR QUE INCLUSÃO ? Há muitas razões por que uma criança com Síndrome de Down deve ter a oportunidade de frequentar uma escola comum. Cada vez mais pesquisas tem sido publicadas e o conhecimento sobre as capacidades de crianças com Síndrome de Down e o potencial de serem incluídos com sucesso tem aumentado. Ao mesmo tempo, os pais têm se informado mais sobre os benefícios da inclusão. Além disso, a inclusão é não discriminatória e traz tanto benefícios acadêmicos quanto sociais. Acadêmicos - Pesquisas mostram que as crianças se desenvolvem melhor academicamente quando trabalham num ambiente inclusivo Social - Oportunidades diárias de se misturar com seus parceiros com desenvolvimento típico proporcionam modelos para comportamento de acordo com a faixa etária - As crianças têm oportunidade de desenvolver relações com crianças de sua própria comunidade - Ir à escola comum é um passo chave em direção à inclusão na vida comunitária e na sociedade como um todo. A inclusão bem-sucedida é um passo importante para que crianças com necessidades educacionais especiais se tornem membros plenos e contributivos da comunidade, e a sociedade como um todo se beneficia disso. Os colegas com desenvolvimento típico ganham conhecimento sobre deficiência, tolerância e aprendem como defender e apoiar outras crianças com necessidades educacionais especiais. Como escreve David Blunkett " quando todas as crianaças saõ incluídas como parceiros iguais na comunicade escolar, os benefícios são sentidos por todos". ATITUDE POSITIVA Mas a inclusão bem-sucedida não acontece automaticamente. A experiência mostra que um dos ingredientes mais importantes na implementação bem-sucedida de um aluno com necessidade de aprendizagem específia é simplesmente a vontade de que ela ocorra. A atitude da escola como um todo é, portanto, um fator significativo. Uma atitude positiva resolve problemas por si só. As escolas precisam de uma política clara e sensível sobre inclusão de sua direção e coordenação, que devem ser comprometidas com esta política e apoiar seus funcionários, ajudando-os a desenvolver novas soluções em suas salas de aula.UM PERFIL DE APRENDIZADO ESPECÍFICO, NÃO APENAS ATRASO NO DESENVOLVIMENTO As crianças com Síndrome de Down não apenas levam mais tempo para se desenvolver e portanto precisam de um currículo mais diluído. Elas têm, em geral, um perfil de aprendizagem específico com pontos fortes e fracos característicos. Saber dos fatores que facilitam e inibem o aprendizado permite aos professores planejar e levar adiante atividades relevantes e significativas e programas de trabalho. O perfil de aprendizado característico e estilos de aprendizado de uma criança com Síndrome de Down , junto com suas necessidades individuais e variações do perfil devem, portanto, ser considerados. Os seguintes fatores são comuns a várias crianças com Síndrome de Down. Alguns têm implicações físicas, outras têm comprometimentos cognitivos. Muitas têm ambos. FATORES QUE FACILITAM O APRENDIZADO - Forte reconhecimento visual e habilidade visual de aprendizado, incluindo: - Habilidade de aprender e usar sinais, gestos e apoio visual - Habilidade para aprender e usar a palavra escrita - Imitação de comportamento e atitudes dos colegas e adultos - Aprendizado com currículo prático e material e com atividades de manipulação FATORES QUE INIBEM O APRENDIZADO - Desenvolvimento tardio de habilidades motoras, tanto fina quanto grossa - Dificuldades de audição e visão - Dificulade no discurso e na linguagem - Déficit de memória auditiva recente - Capacidade de concentração mais curta - Dificuldade com a consolidação e retenção de conteúdo - Dificuldade com generalizações, pensamento abstrato e raciocínio - Dificuldade em seguir sequências O CURRÍCULO Embora vá haver uma necessidade contínua de visar a independência, o comportamento social e a inclusão social da criança com Síndrome de Down, algumas metas devem ser alcançadas no primeiros anos. Uma atenção maior deve ser dada quando a criança passa da primeira para a segunda série. Mesmo assim, como para qualquer criança, as atividades devem ser modificadas e adaptadas para se adequar ao nível de aprendizado e desenvolvimento da criança. Em alguns casos, isso pode significar que um novo conceito, assunto ou habilidade deverá ser recortado até um nível bem básico com um foco num ponto específico que você quer que a criança aprenda e entenda. Embora isso possa significar que, em alguns casos, a criança com Síndrome de Down estará trabalhando num nível muito diferente , não quer dizer que o assunto ou tópico que ela esteja trabalhando seja diferente do dos demais colegas. Com planejamento e o apoio do professor ajudante isso pode ser alcançado com sucesso em muitos casos. PRÁTICAS DE SALA DE AULA Muitos alunos com Síndrome de Down, assim como outros alunos com necessidades educacionais especiais, não se adaptam a algumas práticas de sala de aula: aulas expositivas para a turma inteira, aprender ouvindo, e trabalho de reforço baseado em exercícios sem modificação. Portanto, os professores precisam analisar suas práticas de sala de aula e todo o ambiente de aprendizado na classe de forma que as atividades, os materiais e os grupos de alunos sejam levados em conta. Para certos propósitos, a habilidade será menos importante do que os estilos de aprender de cada aluno. É importante, por exemplo, utilizar a motivação e a oportunidade para aprender com bons modelos que surgem quando o alunos com Síndrome de Down está trabalhando em grupo os colegas. Estudos mostram que não apenas os alunos com necessiades educacionais especiais preferem trabalhar em grupo, mas o grupo cooperativo fomenta o aprendizado. ESTRATÉGIAS Decida quando a criança deve trabalhar: - Em atividades com toda a classe. - Em grupo ou em pares na classe. - Em grupo ou em pares numa área afastada. - Individualmente independentemente ou individualmente com o professor. Decida quando a criança deve ficar: - Sem apoio. - Com apoio dos colegas. - Com apoio do professor assistente. - Com apoio do professor da turma. - Faça um Plano de Educação Individual para atingir determinadas áreas que necessitem atenção. - Produza uma grade de horários visualmente atraente para que a criança entenda a estrutura do seu dia. LEITURA Há muitas pesquisas destacando a forte ligação entre a leitura e o desenvolvimento da linguagem em crianças com Síndrome de Down e a leitura é uma área do currículo em que muitas destas crianças podem se sair muito bem. Como a palavra escrita faz com que a linguagem se torne visual, os textos impressos superam a dificuldade do aprendizado pela audição. A leitura pode portanto ser usada para: - Ajudar o entendimento. - Ajudar a acessar o currículo. - Melhorar as habilidades de fala e linguagem. PORÉM É IMPORTANTE ESTAR ATENTO SOBRE COMO A CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN APRENDE A LER, JÁ QUE AS MANEIRAS PODEM SER DIFERENTES DAS RECOMENDADAS POR CADA ESCOLA. UM FATOR CHAVE AO ENSINAR UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN A LER É UTILIZAR O MÉTODO DE APRESENTAR A PALAVRA COMPLETA E MUITAS CRIANÇAS SÃO CAPAZES DE COMEÇAR A CONSTRUIR UM VOCABULÁRIO VISUAL DE PALAVRAS FAMILIARES DESTA MANEIRA. Isso, é claro, pode significar um problema quando existe a exigência de que o método fônico seja utilizado na alfabetização. Usar fonemas para decodificar palavras pode ser mais difícil para crianças pequenas com Síndrome de Down porque ele envolve habilidades como audição apurada e discriminação de sons, assim como estar apto a resolver problemas. Mas uma noção básica do método fonético pode ser adquirida por muitas crianças com Síndrome de Down e isso deve ser introduzido enquanto elas estão construindo seu vocabulário visual. ESCRITA Produzir qualquer forma de trabalho escrito é uma tarefa muito complexa. As dificuldades de memória curta, fala e linguagem, sistema motor fino e organização e sequenciamento de informação provocam um impacto considerável na aquisição e desenvolvimento da escrita para muitos alunos com Síndrome de Down. Áreas de especial dificuldade: - Colocar as palavras em sequência para formação da frase. - Colocar eventos-informação em sequência na ordem correta. - Organização de pensamentos e informação relevante no papel. ESTRATÉGIAS - Investigar recursos adicioais para ajudar a escrita como um processo físico – diferentes tipos instrumentos para escrever, apoio tátil para empunhar o lápis, linhas grossas, quadrados no papel para limitar o tamanho da letra, papel com pauta, quadriculado, quadro individual para escrever, programas de computador. - Oferecer apoio visual – flash cards (cartões de leitura com figura ou foto e palavra), palavras-chave e símbolos gráficos escritos em cartões. - Oferecer métodos alternativos de memorização: sublinhar ou circular a resposta correta, sequência de frases com cartões, programas de computador específicos, utilizar o método Cloze (subtração sistemática de palavras, substituídas por lacunas num texto a ser aprendido). - Garanta que os alunos só escrevam sobre assuntos que estejam dentro de sua experiência e entendimento. - Ao copiar do quadro, sublinhe ou destaque uma versão mais curta que focalize o que é essencial para o aluno. - Encorajar o uso de letra cursiva para ganhar fluência. ORTOGRAFIA Como a leitura, não é indicado confiar apenas na fonética para resolver problemas de ortografia, uma vez que muitas crianças com Síndrome de Down estarão soletrando palavras a partir da sua memória visual. Porém, para desenvolver e expandir sua habilidade de leitura elas vão precisar aprender algumas noções fonéticas , mas o desenvolvimento nesta área pode ser mais lento do que o de seus colegas. ESTRATÉGIAS Devido às habilidades de fala e linguagem mais fracas e o vocabulário limitado, é importante: - Ensinar palavras que eles entendam. - Ensinar palavras objetivando promover o desenvolvimento de sua fala e linguagem. - Ensinar palavras necessárias para matérias específicas. - Ensinar ortografia da maneira mais visual possível. - Usar métodos multi-sensoriais – por exemplo, olhe-cubra-escreva-cheque, cartões com figuras e palavras, acompanhar com o dedo as letras. - Reforçar os significados de palavras abstratas com figuras e símbolos. - Colorir grupos e padrões de letras similares dentro das palavras. - Oferecer um banco de palavras com figuras agrupado alfabeticamente para reforçar o significado. - Trabalhar atividades de ortografia no computador. - Ensinar famílias de palavras simples e básicas. Disponível em:< http://inclusaobrasil.blogspot.com.br/2008/08/incluindo-alunos-com-sndrome-de-down-no.html> Acesso em: 24 out, 2012. |
| Letícia Thiel - Email: leticia_thiel@hotmail.com |
PDF
