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Karla Regina Lorenzi - Pedagogia Carazinho

Gestão democrática da educação
Democratizar a gestão da educação da educação numa perspectiva social, contrapondo-se à lógica empresarial, requer, fundamentalmente, que a sociedade possa participar no processo de formulação e avaliação da política de educação e na fiscalização de sua execução.
A fundamentação da gestão democrática está, portanto, na constituição de um espaço público de direito que deve promover condições de igualdade, garantir estrutura material para um serviço de qualidade, criar um ambiente de trabalho coletivo que vise a superação de um sistema educacional seletivo e excludente, e, ao mesmo tempo em que possibilite a inter-relação deste sistema com a sociedade em geral, com a produção de conhecimentos que preparem para a vida e não só para a ascensão na escolarização, que permita a ampliação cultural e o acesso às novas tecnologia e instrumento comunicacionais, que habilitem os estudantes a terem expectativas de vida dignas, de trabalho, de exercício da cidadania.
Nessa perspectiva , a instituição escolar precisa orientar-se por alguns princípios como: caráter publico da educação, da inserção social da escola e da gestão democrática , onde as práticas participativas, a partilha do poder, a socialização das decisões, desencadeiem processo de aprendizagem do jogo democrático.
Ao pensar em gestão democrática da escola é preciso compreendê-la a partir de suas especificidades, das pessoas que as compõem, das relações de poder em disputa, das relações que estabelece com a sociedade, que papel desempenha ou imagina desempenhar na comunidade local para, a partir da realidade, oportunizar mecanismos de reflexão e debates coletivos, criar espaços de participação institucionais como os Conselhos Escolares, Grêmios estudantis, eleição direta para diretores, assembléias gerais, construção do projeto político- pedagógico com a colaboração de todos os segmentos da comunidade.
Com esses indicativos pode-se dizer que a construção da gestão democrática da escola passa por um processo de luta política que possibilita a criação de canais de participação e de aprendizado democrático e, conseqüentemente, do repensar das estruturas de poder autoritário, que permeiam as relações sociais, incluindo-se as práticas educativas.
A democratização da escola depende dos gestores do sistema a que a escola vincula se vincula, da equipe diretiva escolhida pela comunidade escolar para girí-la, do desejo e empenho dos professores em participar dos processos decisórios e da concretização dos projetos coletivamente construídos, além da criação de instâncias de participação que envolvam pais, estudantes e funcionários.
Imagina-se que um espaço assim constituído poderá contribuir para a construção de novas culturas institucionais mais emancipadas e, aí, sim, será possível imaginar a formação de estudantes para a cidadania.
Gandim (1975) ressalta que

O planejamento parte de uma leitura de nosso mundo na qual é fundamental a ideia de que nossa realidade é injusta e de que essa injustiça se deve a falta de participação em todos os níveis e aspectos da atividade humana. A instauração da justiça social passa pela participação de todos no poder (GANDIM, 1995, p. 28

Ressaltamos que essa participação significa a representatividade de todosos indivíduos inseridos no contexto onde o planejamento se insere. Não significa apenas contribuir com uma proposta preparada por algumas pessoas, mas representa a construção conjunta, alcançando, na prática, o operacional, e o estratégico.
A gestão democrática que implica no planejamento coletivo, que assegura a autonomia dos diferentes sujeitos envolvidos, nesse ato, é pressuposto básico para a formação da vida cidadã, necessária para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Toda via FERREIRA ressalta que

Muito tem que ser feito para que a importância e a consciência dessa verdadeira participação cidadã que hoje transcende a cidadania local e exige a possibilidade e a condição de cidadania mundial. (...) para que de fato se consubstancie (FERREIRA, 2000, p.113)

[...]é necessário repensarmos a educação em termos de formação humana, e para tal, é importante repensarmos as políticas educacionais, a partir de uma visão ampla de educação, que transponha os muros da escola, buscando uma nova forma de estabelecer relações entre a escola, comunidade e sociedade civil, poder público, enfim entre todos os espaços sociais.
Essa proposta parte do princípio da Gestão Democrática da Educação- Lei nº10.576/95 e o grande desafio está em gestar o projeto educativo de cada comunidade de forma que o mesmo contemple a cultura,a realidade e o mundo vivido da população e nesse cenário o planejamento passa a ser o viés no sentido de atender as demandas coletivas.
Pensar em planejamento é pensar para além de uma pedagogia imposta, ou de uma prática já tradicionalmente traçada, mas ter presente que todo e qualquer conteúdo é a construção da responsabilidade e da liberdade que se assume, diante da sociedade, desenvolvendo crítica e solidariamente opções políticas ativas e práticas politicamente criadoras, fazendo da história processo de construção do destino humano do qual todos devemos participar.
É pertinente contextualizarmos o planejamento no contexto histórico em que nos encontramos, ou seja, inseridos na participação, nas inter-relações pessoais.
Karla Regina Lorenzi  -  Email: karlalorenzi@hotmail.com

 

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